21 março, 2010

Manual desconexo dos espaços vazios







© Jussara Martins 2010

Eu sei, escrever palavras desconexas e sem uma sequência lógica é mais fácil. Pois em lugares não se sabe qual caminho seguir. Sei, de momentos em momentos, que não tenho o que dizer. Que qualquer som, qualquer linha escrita pode perder sentido, mesmo que exista vontade de encontrar sentido. Não, nada escrito nessas linhas, e que seja enxergado, precisa necessariamente ter sentido.

A sensação parte do toque. E onde existe distância, seja a distância do tempo e espaço, seja a distância intelectual, mesmo com a proximidade física, o abismo corpóreo é um sofrimento. Todos estão em fuga, deixam suas casas, buscam alguma proximidade consigo em lugares desconhecidos aos outros, se afastam mais das ruas. E quando estão lá, beiram o precipício. Talvez sequências sejam ilógicas, assim como o gosto por repetir as palavras em começos de frases para tornar os 'versos' claros. Talvez buscar nexo, mesmo sem nexo, seja encontrar, descobrir no tempo o espaço do que não tem sentido. Seja se encontrar no abismo, no único momento que se entrega a tentar uma relação que pareça segura, mesmo sentindo que serão somente intervalos iluminados e decorados com coisas, objetos, que preenchem vidas que parecem ter sentido. De qualquer forma, elas estão lá, buscando algum sentido no caos. Com muitas ausências e uma presença.
Ainda que palavras desconexas saiam em doses exageradas, voto pelo silêncio.

1 comentários:

Priscila Milanez disse...

Que lindo, Ju!! Além de uma fotógrafa incrível, você tem o trato das palavras! Te gosto muito. Vc sabe.
"Abismo corpóreo" gostei disso,
beijos, nega