27 novembro, 2011

é Vasco!

Quando o Kell entrou no busão o Vasco marcou o primeiro gol, já no segundo tempo. Ele, que mal tinha sentado, já levantou comemorando. Andou e sentou de novo, suspirando pelo gol.
Acompanhava o jogo pelo seu celular com TV e vestia uma camisa do Vasco. Eram momentos que poderiam decidir o futuro do time no Campeonato Brasileiro, em um jogo contra o Fluminense. 
Quando os bancos do fim do ônibus esvaziaram, fui pra lá com minha mochila pesada. Ele foi logo depois. Perguntei o placar do jogo. E quando me dei conta ele estava dividindo o celular TV comigo. Agonia dupla, o Flu empatou.
© Jussara Martins 2011















Assumi que sou torcedora de um time recentemente. Tive várias chances de ser flamenguista. Os ex-namorados são flamenguistas. Daqueles bem pestinhas. Mas escolhi o Vasco, por opção. Simpatizei com o time há dois anos, quando cobri uma pré-temporada no Espírito Santo. Minha família nunca torceu por time algum.

Voltando. Cada gesto e expressão do Kell, que até então eu não sabia o nome, me proporcionava uma pequena felicidade. Antes, era somente um domingo de muita chuva com pensamentos exageradamente chatos. 
O Vasco fez outro gol, nos 45 do segundo tempo. 
© Jussara Martins 2011
Como eu previ. Mais gritos do rapaz. Inacreditável mesmo. Eu ali, vendo a felicidade transbordando... Os ocupantes das outras poltronas com certeza ignoravam o que acontecia lá no fundão. Com certeza nos achavam sem noção. Mas, existia um mundo lá no fundão, uma torcida inteira representada pelo Kell...
Naturalmente, pedi para fazer uns retratos seus. Ele prontamente aceitou. Mal acreditou quando saquei a câmera da bolsa... Veio o apito final. A foto, a comemoração, o alívio. Ainda estamos na luta!
© Jussara Martins 2011

26 novembro, 2011

fotógrafa.inominável.

ser fotógrafo virou posição social ultimamente. a melhor lente. o melhor equipamento. por isso, cada vez mais, me sinto menos fotógrafa. pois tem algo aí que não me faria uma fotógrafa então. tem algo nesse nome que me tira do ramo do que se entende como fotografia talvez. as pessoas sonham com o que podem possuir. e o que eu sonho é algo que não se pode tocar, mas ainda está no sonho q eu entendo como sonho. o que eu persigo é algo que não tem marca. que não tem valor. então se fotografia é isso, se ser fotógrafa está no campo da matéria. meus caros, me declaro algo inominável. pois não me encaixo mais nesse termo. estou abandonando o posto de fotógrafa. e talvez não exista mesmo um nome...